Redes Sociais: conceitos básicos – parte 3

Redes Sociais – Conceitos – parte 3

Depois de longo interregno em relação ao último artigo sobre redes sociais, escrevo esta terceira parte da sequência. Entre vários motivos para esta demora, o principal é a não satisfação com o desenrolar da apresentação do tema que ficou um pouco agreste e com muitos conceitos e definições sem uma aplicação prática imediata.

No entanto, relendo um artigo de uma das figuras proeminentes da área, vejo espelhado o meu sentimento nas frases finais do seu artigo e que transcrevo abaixo:

“…nós contamos os triângulos da rede ou medimos as sequencias de graus, mas não temos a menor ideia se estas são as únicas quantidades importantes a medir (quase de certeza que não são) ou mesmo se elas são as mais importantes.” (NEWMAN, 2003. p.47-48)

Não obstante, faz-se necessário o término desta série de artigos sobre as redes sociais para que possamos seguir adiante com outras perspectivas, assuntos e novos insights e informações que surgiram, neste último ano, sobre o tema e outros assuntos.

Em referência ao último artigo, ficou pendente a discussão sobre redes monomodais, duomodais, densidade da rede, diâmetro e raio da rede, conectividade e conexões, hubs e bridges, nós de corte, entre outros pontos.

Segundo WASSERMANN (apud FACCIONI, 2011), redes monomodais são formadas por um conjunto único de atores que se relacionam entre si e das ligações que podem representar diferentes tipos de relação; as redes duomodais são formadas por dois conjuntos diferentes de atores ou um conjunto de atores e um conjunto de eventos e das relações entre os atores de um conjunto com os atores/eventos do outro conjunto.

A densidade de uma rede é expressa pela proporção entre o número de ligações existentes e o número do total de ligações possíveis. (HANNEMAN, 2011).

O diâmetro de uma rede é a maior excentricidade entre todos os atores. Lembrando, excentricidade é a maior distância geodésica e distância geodésica entre dois atores o número de ligações que existe entre eles (pelo caminho mais curto). Se os atores estão desconectados a distância geodésica é infinito. (HANNEMAN, 2011).

Nó de corte (cut point) é quando este é retirado de rede e provoca a desconexão desta, dividindo-a em vários componentes. Um componente é um conjunto de nós (atores) que estão interconectados (todos os nós do “sub-grafo” são “alcançáveis” entre si).

Ponte (bridge) é similar ao nó de corte só que se refere à ligação. Quando retirada a ligação (relação, conexão) a rede será desconectada formando diferentes componentes.

Com estes conceitos básicos encerramos a “trilogia” sobre princípios básicos de redes sociais.

Está muito aquém donde gostaria de ter alcançado em clareza e praticidade, no entanto, os pontos essenciais, eu acredito que tenham sido suscintamente tocados, e com a bibliografia indicada nos três artigos, o aprofundamento no assunto será possível a quem se interessar.

O que muitas empresas hoje buscam, é justamente essa clareza de como funcionam e evoluem as redes sociais devido ao seu interesse comercial de como explorar esse nicho.

Fenômenos como o desenvolvimento exponencial do Facebook e de como explorar economicamente esse crescimento é visto com ansiedade por muitas corporações, mas não é tão simples assim!

O funcionamento e desenvolvimento das redes sociais é algo mais complexo, muito mais complexo do que inclusive os conceitos básicos referidos. No entanto, deve-se começar por algum ponto. Referências básicas e/ou noções primárias de como funciona uma rede, seja social ou não, deve ser uma premissa básica para quem quer entender ou futuramente usufruir desse desenvolvimento.

Muitos outros fatores como, por exemplo: aspectos sociais, culturais, regionais e “alfabetização digital” devem ser considerados em análises de redes, isto sem comentar sobre a logística, barreiras de entrada, localização (adaptar o produto/serviço), etc.

Como corolário da sentença anterior, logo, a análise de uma rede somente como “monomodal” ou “dualmodal” será muito simplista…

Este assunto ainda terá muito desmembramentos em futuros artigos.Boa leitura e pesquisa!
Referências:

FACCIONI, Marcos.  Análise de Redes Sociais. Open University UK.  Acesso em: 2011. Disponível em:http://labspace.open.ac.uk/course/view.php?id=4951&topic=all

HANNEMAN, Robert A.; IZQUIERDO, Luis R. Introduction to formal analysis of social networks. Acesso em: 2011. Disponível em: http://faculty.ucr.edu/~hanneman/mathematica_networks.pdf

NEWMAN, M.E.J. The structure and function of complex networks.  2003. Disponível em: http://www-personal.umich.edu/~mejn/courses/2004/cscs535/review.pdf

WASSERMANN, Stanley; FAUST, Katherine. Social network analysis. Cambridge: Cambridge University Press, 1994.

 

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