EAD – Ensino à Distância – comentários, parte 3

Acabei de ler um artigo do Prof. Dr. Renato Sabbatini, que foi professor e pesquisador, por mais de 20 anos, da UNICAMP. Importante personalidade que há mais de uma década defende e tenta implentar o EAD.

O artigo, na íntegra, pode ser lido em:

http://www.sabbatini.com/renato/blog/?p=24#more-24

Alguns trechos que eu selecionei:

 “…fizemos direitinho o nosso trabalho, tudo de acordo com o ideal para o início de um programa de EaD, que se tivesse sido adotado e implementado, teria colocado a UNICAMP na vanguarda da vanguarda, oito anos atrás! O nosso levantamento em 2001 teve o interesse registrado de apenas 100 docentes entre os mais de 1.200 existentes à época…”

“…Após esses 8 anos (estou aposentado desde 2003, então acompanho sua evolução apenas esporadicamente), a UNICAMP ainda tem zero cursos de graduação a distância, zero cursos de pós-graduação a distância, entrou em alguns projetos de governo na área de educação e pedagogia, e ministrou um número ridiculamente pequeno de cursos de extensão, pelo seu porte e capacidade…”

“…
O que eu poderia diagnosticar como fatores importantes?

– Tremenda hostilidade contra a EaD por parte dos colegiados e boa parte das pró-reitorias …

– Avassaladora falta de tempo e interesse dos docentes em participar de projetos de criação de cursos a distância. O docente em tempo integral da USP, UNICAMP e UNESP tem um salário (bom, comparativamente) fixo, independente do que faça ou deixe de fazer. Além disso, todos os docentes são assoberbadissimos com dezenas de atividades obrigatórias, como dar aulas, orientar estudantes, corrigir provas, tocar pesquisas, atender a comunidade em projetos de extensão, escrever artigos e livros, prestar serviços administrativos, etc,. etc

– Ausência de um comprometimento realmente sério da reitoria em montar um projeto com metas ambiciosas, e institucionalizá-lo com grande determinação e apoio decidido, inclusive financeiro e político. Em parte isso é causado pela falta de entusiasmo dos dirigentes e dos docentes.

– Falta de continuidade dos projetos que docentes abnegados e entusiasmados criaram e levaram adiante, com muito esforço, em parte pelo enorme trabalho envolvido, em parte por causa da falta de retorno significativo (por não terem divulgação adequada por parte da UNICAMP

…”

“Acho simplesmente lamentável essa posição de ALGUNS professores paulistas (eu sou professor paulista, e não sou contra a EaD, ao contrário, pratico-a desde 1995), pois ignora os avanços e o sucesso obtidos em outros países nessa modalidade de ensino. Essa posição é apenas a reação que setores tradicionalistas têm em relação à qualquer inovação. Quanto maior a qualidade dos cursos presenciais e a intensidade e rigor dos controles e das avaliações, maior é a desconfiança em relação à EaD nos cursos de graduação. Isso é um fato, observado em todos os países. Veja se a Harvard, Stanford e Yale, Oxford e Cambridge abraçaram com entusiasmo a EaD….”

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4 Respostas para “EAD – Ensino à Distância – comentários, parte 3

  1. Mário L. Magnani

    Xará,
    Como você disse muito bem, a questão do EAD é polêmica e, infelizmente, num país como o Brasil que tem uma cultura de levar vantagem em tudo, o EAD é mais uma porta aberta para os espertalhões de plantão (educadores e educandos) e, penso que por causa disso, as principais universidades do país ainda temem expor-se ao EAD e prejudicar a sua imagem. Há, também, um pouco de soberba das universidades “mais-mais”, como Unipcamp e USP .Mas, “é definitivamente um processo irreversível” e as universidades terão que encontrar uma forma de manter mesmo nível do ensino presencial, haja vistas que na lista de universidade estrangeiras que aderiram ao EAD, já consta o MIT.
    Abraço,
    Mário L. Magnani.

    • Olá Magnani,

      Sim, sim, processo irreversível, sem sobra de dúvida. Apesar do desastre e do atraso que está causando essa repulsa das principais universidades de São Paulo aderirem ao EAD, ainda existe um luz no final do túnel, para não considerar tudo perdido, no curto prazo.

      Um amigo meu, “avis rara” no ambiente acadêmico, com coleção de pós-doutorados e livre docência, de uma dessas escolas, me disse que acredita no EAD e inclusive já fez recomendações, sobre o projeto. Ele vê como preocupação maior a manutenção da qualidade e controle, o que acredito que é o ponto principal, também, a ser equacionado.

      Depois desse último papo, com ele, fui rever as tecnologias atuais, existentes, e acredito que possamos ter esse controle efetivo e eficaz, ainda estou terminando essa análise.

      Magnani, nós os dois, que temos formação e longa e larga experiência em TI, sabemos que se quisermos podemos controlar até a “cor do bit” é só querer e fazer um trabalho sério e honesto. Portanto, esse controle e qualidade, é só ter gente competente e que “vista a camisa”, em uma equipe multidisciplinar, transdisciplinar, que fazemos até chover.

      Moral da história, é só ter boa vontade, engajamento e firme e honesto propósito, para tal.

      Grande abraço, amigão,
      ML Ferreira

  2. Ricardo lopes

    O Ensino à distância ainda é muito precário no Brasil. Na verdade a maioria dos cursos que chama de “a distância”, não passam de uma versão melhorada do secular Instituto Universal Brasileiro. Dão-se apostilas para os alunos estudarem em casa e depois eles comparecem para realizar a prova. Salpica algumas palavras tais como foruns, e-mail e chats e pronto! Este é o ensino a distância brasileiro… Lamentavelmente isto ainda muito insípido. Há de se implementar um verdadeiro ensino a distância, ainda, neste nosso Brasil!

    • Olá Ricardo,

      Em uma visão generalista, concordo que o EAD ainda é muito incipipiente e essa ideia de “Instituto Universal Brasileiro” está muito arraigada junto à população. No entanto, já temos îniciativas dignas de referência. Gostaria que você procura-se FGV Management ou FGV online, para ter uma ideia do “novo estilo” de EAD. Vai mudar o seu conceito. Tenho a certeza. Já utilizei o EAD deles, fiz três extensões universitárias, e posso dizer-lhe que são de primeira linha e de qualidade ótima, de conteúdo e de metodologia.
      Abraço,
      Mario Ferreira

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