Gestão da Mudança – Parte 2

Continuação da apresentação de alguns conceitos para o entendimento da Gestão da Mudança.

A mudança e a identidade em uma organização autopoiética

A organização autopoiética é uma organização que se produz a si própria e tem uma identidade muito forte. É a sua cultura organizacional que opera sobre o ambiente, e encara o ambiente como uma ameaça ou oportunidade.

Em uma organização autopoiética só ocorre mudança quando o ser vivo percebe e fica em congruência com o ambiente. Como a única sobrevivência possível é em sincronismo com o ambiente, a organização autopoiética está em constante atualização com o ambiente.

Para ocorrer o processo de autopoiesis é necessário a existência de identidade e relacionamento.

Cultura Organizacional

É um processo interpretativo que dá sentido à realidade, traduzindo-a para os membros da organização em termos de um significado comum.

A importância da linguagem em uma organização autopoiética

A linguagem, no seu sentido amplo, é mais do que o acoplamento estrutural mútuo, que é a coordenação de comportamentos. A linguagem é a coordenação da coordenação de comportamentos.

Logo, o domínio linguístico é uma história de interações de orientação, que procuram ser bem-sucedidas no interior de uma organização.

Planejamento e flexibilidade em uma organização autopoiética

Quando precisa resolver um problema (planejamento), associa à resolução de um problema passado, se não atende, cria um novo padrão baseado em experiência anterior. Ponto fundamental, é que tudo que a organização precisa, está nela mesmo.

Logo, desenvolve os estoques de conhecimento, desenvolve habilidades diversificadas e a agilidade, para elaborar apreciação rápida do ambiente com o exercício constante da intuição.

Com isso, cria o potencial para o planejamento em tempo real.

Conhecimento Organizacional

É o conhecimento compartilhado pelos membros da organização, ou seja, a capacidade de fazer distinções, a qual se encontra compartilhada entre eles.

A Teoria Order from Noise

Traduzindo livremente, seria a “ordem a partir do ruído”, ou a “reordenação após a perturbação”.

O princípio da Order from Noise exprime, após a ocorrência de perturbações, o aumento da informação (complexidade) quando ocorre a passagem de um nível inferior para um nível superior da organização.

Mas isso só faz sentido para um observador externo, fora do sistema. Para o sistema o aumento da complexidade é ele próprio.

As duas variáveis antagônicas da teoria Order from Noise são a variedade e a redundância. Quanto maior a variedade, menor será a redundância.

A Empresa Auto-Organizante (Organization from Noise)

Possui variedade (diversidade), possui redundância (repetição) e possui um grande número de interações entre seus componentes.

As interações são o fluxo de informação que circula pela organização.

Cabe observar que quanto maior a variedade menor é a redundância e quanto maior a redundância menor é a variedade.

O Potencial de Mudança em uma Empresa Auto-Organizante

Consiste em sua rede informal de interação entre pessoas.

Quando uma organização tem redes informais com laços fortes, observa-se que as pessoas passam mais tempo juntas, se auto-ajudam, tornam-se emocionalmente envolvidas e, por conseqüência, surge a confiança mútua que gera segurança e é um potencial para a mudança.

A capacidade de decisão está diretamente ligada à base de informações ser completa, ou não, e que muitas vezes é fornecida pela rede informal. Não tendo uma base boa de informações, as possíveis alternativas serão reduzidas, e, também, a análise dos resultados depende de um feeback acurado que pode, novamente, depender dos laços, e relações, das redes informais.

Ações para Alavancar a Auto-Organização

Desenvolver habilidades sociais, para manter relacionamento e laços fortes entre as pessoas.

Tolerar os erros, discutir e argumentar as ações que não estão de acordo, explicar as ações corretas e entender porque ocorreu o erro.

Focalizar a missão e visão organizacional, para manter uma identidade na organização e todos compartilharem essa visão.

Ser adaptável, tem que estar apto a mudanças e atento às mudanças ambientais, e ser flexível e com mente aberta.

Delegar, saber delegar é uma característica fundamental para que a complexidade possa funcionar.

Exercer o poder com autoridade, sendo esta não imposta, ela deve atribuída e ser merecida.

Administração de Conflitos

Quanto maior é a interação entre pessoas, maior é a possibilidade de haver conflitos, logo, seguem algumas sugestões para administrar conflitos.

Multiplicar alternativas, ou seja, quando existe um impasse, ter várias alternativas de solução para minimizar conflito.

Equilibro de poder, evitar impor, ou ter diferenças de níveis hierárquicos, ou de poder de decisão, que podem gerar conflito ou, ainda, ressentimentos que provocarão desgastes futuros. Quando a solução é imposta só se está criando ambiente para futuros conflitos e possibilidades de “receber o troco”, além da possível “sabotagem” das soluções definidas.

Aguardar pela qualidade do consenso, procurar entender como o “outro” pensa, procurar obter sugestões de soluções, colocar argumentos embasados e claros, e trabalhar seguindo princípios, aceitos universalmente.

Teoria Order through Fluctuations

Ou, teoria das estruturas dissipativas, é a ordem por meio das perturbações com evolução/reestruturação, com a criação de complexidade, por meio de saltos qualitativos, por meio de mudanças estruturais, com a simultânea destruição e criação da ordem.

Por analogia, pode-se comparar com a água que vai esquentando, até que passa para a fervura e muda de estado.

Para ocorrer a transformação, em empresas que evoluem em “saltos”, isto é, de acordo com a teoria Order through Fluctuations, é necessário que as organizações se afastem do equilíbrio, isto é, que haja instabilidade e estabilidade.

Também, é necessário que haja auto-organização, a partir de redes informais fortes e, que a organização tenha espaço para a experimentação, possibilitando, ao sistema, a criação de novas formas e aumentar sua complexidade.

Aspecto comum entre autopoiesis, order from noise e order through fluctuations

Todos os sistemas se auto-organizam e quando os sistemas percebem o “ruído” aumentam a complexidade entrando, novamente, em congruência com o ambiente.

Complexidade

É a circularidade entre as instâncias de ordem e desordem.

Também, nas auto-organizações, a complexidade é a informação, quanto mais informação maior é a complexidade.

“Perceber a ordem é dar atenção a diferenças similares e similaridades das diferenças, isto é, considerar não só as diferenças similares, mas também as diferentes similaridades das diferenças.”

David Bohm, em A totalidade e a Ordem Implicada

Sistemas Complexos

São sistemas que trocam informação, continuamente, com o ambiente, são, portanto dinâmicos, e, também, devido à troca de informação, influenciados e influenciam.

Estão em constante redefinição dos próprios padrões de funcionamento interno, por isso são auto-organizantes.

Em um sistema complexo a auto-organização é o surgimento espontâneo de novos e cada vez mais complexos níveis de organização. É um processo gerado internamente, e não é induzido por ações ou causas externas.

O surgimento desses novos estágios de reorganização se origina a partir do grande número de interações entre os componentes do sistema, isto, quando estes componentes percebem as mudanças no ambiente externo.

Logo, os sistemas complexos são adaptativos em tempo real, não planejam ou determinam seu futuro, de forma antecipada. Logo, por corolário, se deduz que não se pode prever seu estado futuro, mas sim, deve-se procurar entender a sua dinâmica.

Em próximos artigos, serão aprofundados outros pontos importantes, sobre gestão da mudança.

Este termina com uma frase de Dorothy Leonard, professora da Harvard Business School.

“A inovação ocorre nas fronteiras entre as mentes,
não dentro do território provinciano
de uma só base de habilidades de conhecimento.”

Dorothy Leonard

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