Gestão da Mudança – Parte 1

Mais do que nunca, nestes tempos conturbados e de mudanças, a gestão – de empresas – irá necessitar de agilidade, de se reinventar e quebrar paradigmas, para que as organizações possam sobrepujar os desafios do presente e que se avizinham, gerados pela atual crise global.

Para tal, a gestão da mudança, terá um papel fundamental no sucesso da empresa e no reordenamento organizacional nestes tempos de crise. Que, aliás, toda a crise tem dois aspectos, o aspecto que vislumbra ameaças ao status quo e o aspecto que procura novas oportunidades na crise.

Antes de entrar na Gestão da Mudança, propriamente dita, convém refrescar alguns conceitos relacionados e alargar a visão para um panorama holístico.

Existem vários pesquisadores que desenvolveram linhas de pensamento, procurando convergir princípios de diferentes ramos da ciência, e apresentaram os resultados para compreender melhor as causas e efeitos das mudanças organizacionais no comportamento das empresas e sua relação com o ambiente. Esta convergência, ou utilização, de vários ramos da ciência é a transdisciplinaridade.

Para entender a Gestão da Mudança é fundamental estar com a mente aberta para a transdisciplinaridade.

Nesta primeira série de artigos serão colocados conceitos básicos sobre caos e complexidade, mudança, cultura organizacional, mudança, holística, transdisciplinaridade, entre outros.

Holística

É o Conjunto, é ver o “quadro”. É a visão do conjunto, uma visão universal interligada onde tudo tem relação tudo e interfere em tudo. Sujeito e objeto são indissociáveis. O todo contém as partes e está contido nelas. Conhecedor, conhecido e conhecimento são indissociáveis.

“…[o universo] não é uma coleção de acidentes juntados externamente, tal qual uma colcha de retalhos, …[ele é] sintético, estrutural, ativo, vital e criativo de maneira crescente, cujo desenvolvimento progressivo é moldado por uma atividade operativa holística única,..[abrangendo] até as criações e idéias mais sublimes do espírito humano e universal. O caráter de unidade ou totalidade sintética que tudo permeia, e que está em constante crescimento nestas estruturas, nos leva a um conceito de holismo como sendo a atividade fundamental subjacente e coordenado às outras, assim como a uma visão do universo como sendo um Universo Holístico”.
Pierre Weil

Mudança

São eventos que afetam a realidade, que sem esses eventos estaria estável.

Mudança significa a passagem de um estado para outro diferente. É a transição de uma situação para outra diferente. A mudança implica transformação, perturbação, interrupção, ruptura, dependendo de sua intensidade. A mudança está em toda parte: nas organizações, nas cidades, nos países, nos hábitos das pessoas, nos produtos e nos serviços, no tempo e no clima.

Kurt Lewin foi muito feliz ao retratar o processo de mudança como uma seqüência de três etapas distintas, que, resumindo, são:

Descongelamento do padrão atual de comportamento: significa a etapa inicial em que velhas idéias e práticas são derretidas, abandonadas e desaprendidas. Se não houver descongelamento, a tendência será o retorno puro e simples ao padrão habitual de comportamento. O descongelamento significa que as velhas idéias e práticas são derretidas e desaprendidas para serem substituídas por novas, que devem ser aprendidas.

Mudança é a etapa em que novas idéias e práticas são experimentadas, exercitadas e aprendidas. Durante o processo, o agente de mudança deve promover novos valores, atitudes e comportamentos através de processos de identificação e internalização. Isto significa que os membros da organização precisam identificar-se com os valores, atitudes e comportamentos do agente de mudança para então internalizá-los, desde que percebam sua eficácia em seu desempenho. Identificação é o processo pelo qual as pessoas desempenham novos padrões de comportamento após terem conquistado alguma melhoria com eles. A Internalização é o processo pelo qual as pessoas desempenham novas atitudes para adotá-las como parte de seu padrão normal de comportamento. A mudança é a fase em que as novas idéias e práticas são aprendidas de modo que as pessoas passam a pensar e a executar de uma nova maneira.

Recongelamento é a etapa final em que as novas idéias e práticas são incorporadas definitivamente ao comportamento. Recongelamento significa que o que foi aprendido foi integrado à prática atual. Passa a ser a nova maneira que a pessoa conhece e como ela faz seu trabalho. Conhecer meramente a nova prática não é suficiente. A incorporação ao comportamento (suporte) e a prática bem-sucedida (reforço positivo) são o objetivo final da fase de recongelamento.

Transdisciplinaridade

Tem várias definições, como as de Piaget, Michaud, Jantsch e Morin, no entanto, contrapondo a definição/função de especialistas e ultra-especialistas, nos primórdios não era feita a distinção entra as várias áreas da ciência e do conhecimento, o reducionismo foi acentuando essa dicotomia entre as várias áreas do conhecimento.

Parafraseando Edgar Morin, transdisciplinaridade é a comunicação e interligação de todos os domínios científicos, sem que isso cause a redução das realidades complexas a simplificações. É substituir o paradigma atual reducionista vigente por um de completitude, que ao mesmo tempo separa e une.

Na Parte 2, próximo artigo, serão apresentados conceitos de complexidade, autopoiesis, order from noise, empresa auto-organizante, entre outros.

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