A Ética e os Negócios Internacionais

Primeiro, nós precisamos ter um conceito claro do que é ética e a diferença entre ética e aspectos culturais relacionados com as ações e processos de desenvolvimento de negócios.

O dicionário Houaiss define ética como parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano, refletindo especialmente a respeito da essência das normas, valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade social. E, também, define como sendo um conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa e moral de um indivíduo, de um grupo social ou de uma sociedade.

O dicionário Colins define ética como o certo e o errado baseado em princípios morais e regras. A ética, de um tipo particular, é uma idéia ou princípio moral que influencia o comportamento, atitudes, e filosofia de um grupo das pessoas. O dicionário Webster define como uma disciplina que trata do que é bom e ruim, e do dever moral e obrigação, ou, também define como os princípios de conduta que governam um indivíduo ou um grupo. O Larrouse, um dicionário francês, define como uma parte da filosofia que foca nos fundamentos da moral, ou como um conjunto de princípios morais, que é a base de conduta de qualquer um.

O que induze mais ruído em negociações internacionais são os aspectos culturais, que são mal entendidos e confundidos com diferenças éticas.

Os aspectos culturais, que precisam ser realçados, são: o protocolo, a religião, o uso das cores e o significado delas em cada cultura, a linguagem corporal, os costumes de alimentação e os presentes.

Há, também, uma outra perspectiva sobre diferenças culturais, que e a de Geert Hofstede com a análise das Dimensões Culturais. Elas são: Índice de Distância do Poder, Individualismo, Masculinidade, Índice de Aversão à Incerteza e a Orientação para o Longo Prazo. Um possível uso do método está exatamente em Negócios Internacionais. A lista com a análise de vários países está disponível no web site do autor.

Negócios são negócios, e Ética é Ética. A área cinzenta que muitas pessoas tentam desenvolver, para ser utilizada como desculpa para fracassos ou para permitir, ou endossar, situações éticas inaceitáveis, não deve existir.

Uma frase de Peter Drucker, quando um repórter lhe perguntou o que ele ensinaria em uma conferência sobre Ética, espelha claramente o espírito do comportamento ético. Ele respondeu que seria a conferência mais curta do mundo, ele só diria: “Se você não pode se olhar no espelho para algo que você está prestes a fazer, não o faça.”

Éticas é sobre moral e não provocar danos a ninguém, ao negócio, ao ambiente, ao colega, ao sócio, ao vizinho, ao amigo, e assim por diante.

Uma idéia comum, que eu já li várias vezes, é que o suborno é esperado, aceito e habitual em alguns países. Suborno está errado em qualquer lugar do mundo. É difícil para mim, acreditar que há algumas pessoas, pessoas sérias, que endossam essa prática e dizem que é natural e aceito, em alguns lugares.

Para existir suborno, nós precisamos, pelo menos, ter dois atores, um que “doa” e um que recebe. O que acontece, é a existência de um longo e velho processo onde, os que tem um poder maior, econômico, político ou de influência, oferecem vantagens, presentes e suborno para ter os interesses assistidos de forma mais rápida e preferencial. E, esse processo, em algumas regiões do mundo, tornou-se habitual. É mais fácil comprar o indivíduo que explicar o que eu quero.

Em 1999, lendo um jornal local, ou revista, constatei um absurdo, difícil acreditar, mas é real e eu tenho até hoje aquele artigo, em algum lugar. Um diplomata de um país desenvolvido disse, em um país emergente, e está escrito, algo como: “quem tem o dinheiro faz as ordens”. Eu penso que não é preciso fazer mais comentários sobre como o suborno foi ampliado em algumas regiões.

Outro ponto que eu li, é que cada país faz ou interpreta os padrões éticos de negócios. Eu acredito, também, que não é verdadeiro. O que cada país tem é um nível de “contaminação de corrupção”, isso é deveria ser a referência. Uma observação, corrupção não é só uma característica de países pobres. Nós a achamos, também, em países ricos, e freqüentemente.

Assim, Ética é uma coisa, regras empresariais e aspectos culturais são outra coisa.

Aspectos culturais e como lidar com suas particularidades, depende do estudo e interesse de cada um que quer desenvolver negócios internacionais, e é necessário que o faça antes de fazer suposições, e delegar a responsabilidade para diferenças éticas.

Matar, roubar e prejudicar os outros não é um comportamento aceitável, nem moral, em qualquer lugar do mundo. Regras empresariais são feitas pelos homens e seguidas de modo moral ou imoral, conforme a consciência e a educação de cada um.

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