Vantagem Competitiva

Quem tem acompanhado alguns artigos, deve ter reparado que sou um pouco avesso a definições muito “acadêmicas” ou a afirmações incisivas sobre o “certo e o errado” no que respeita a processos, metodologias e teorias ligadas à administração de negócios.

Primeiramente, não acredito em “receitas prontas” e em segundo lugar, com a dinâmica atual do ambiente de negócios, definir as “melhores práticas”, creio, no mínimo, ser uma pretensão aquém das possibilidades de qualquer um, por mais preparado que seja.

O que tenho procurado passar são conceitos básicos que, em princípio, independeriam do tempo e espaço. Inclusive, em vários desses conceitos – como o de estratégia – não apresentei uma definição pragmática e, sim, um conjunto de processos que formam o que se poderia chamar de o processo de estratégia.

Em cima desta linha de raciocínio, o que acredito que é a maior vantagem competitiva de qualquer empresa é a combinação de conhecimento, de inteligência – nas suas diversas formas e perspectivas – e de experiência (adquirida de modo próprio ou estudada).

Essa combinação permite o desenvolvimento constante do espírito empreendedor e inovador que deve ser o Norte de qualquer empreendimento e de seus gestores, seja no seu estágio inicial seja no seu estágio consolidado.

O conhecimento fornece os fundamentos para a análise da viabilidade de novos insights, além de ser uma fonte geradora destes. A Inteligência permite não só facilitar a condução dos negócios, como avaliar o factível e as prioridades, o como lidar com as pessoas e as emoções, ponderar sobre o tangível e o intangível, desenvolver a sensibilidade para analisar tendências, entre outros pontos fundamentais. E a experiência é uma referência para o aprimoramento e, também, uma segurança, pela análise e comparação dos bons e maus resultados de ações já praticadas.

O conhecimento, a que me refiro, não é na perspectiva de ter que se estar sempre atualizado com tudo e com qualquer “best-seller” que é proposto pela mídia.

Mas é, sim, um arcabouço de referências, conceitos e práticas que estão, primeiro, alicerças no bom senso e pragmaticamente confirmadas como vantajosas – a sua utilização – e, segundo, que estejam embasadas em estudos disponíveis para que possamos analisar sua profundidade e utilidade.

Cabe aqui uma ressalva. Uma leitura rápida do parágrafo anterior pode transparecer, para quem não acompanha os meus artigos, uma visão restrita do que pode, ou não, ser utilizado como práticas de administração. Não é o caso.

O enfoque, na realidade, é contra os modismos e sucesso rápidos e espontâneos que aparecem como a solução para todos os problemas e que rapidamente são adotados.

Um exemplo disso foi a reengenharia na década de oitenta.

Outro exemplo foi o downsizing na tecnologia, a troca de grandes computadores por minicomputadores e redes de microcomputadores.

Um último exemplo pode ser a terceirização, que é pratica corrente das grandes empresas para diminuir custos, quando na realidade o que está acontecendo é só a mudança do centro de custo para outra empresa e é o achatamento dos salários de quem trabalha nessas terceirizadas, isto, quando não é uma cooperativa para driblar os impostos sociais que na realidade quem sai prejudicado, mais uma vez, é o colaborador.

Na realidade, eu sou um adepto do questionamento e da quebra de paradigmas, mas de modo inteligente, responsável e embasado.

Uma referência que sempre utilizo e releio, quando possível, é Peter Drucker. Pode ser observado, em seus últimos livros, que Drucker não oferece nenhuma receita milagrosa nem é incisivo em suas colocações. A sua experiência e a sua escrita mostram um texto discursivo profundo mas ao mesmo tempo leve, onde expõe seus pensamentos e análises de uma forma como se fosse uma conversa. No entanto, os ensinamentos contidos são impares.

Quanto à inteligência, como tinha referido, ela tem diversas formas e perspectivas. Por exemplo, a inteligência competitiva, onde se estuda o mercado, a competição, as tendências, entre outros pontos. Pode ser a inteligência emocional, onde a perspectiva é direcionada aos recursos humanos. Recentemente, li uma artigo que comentava sobre a inteligência social, cuja análise é de como as redes sociais interagem ou interagirão com o mundo dos negócios e qual será sua influência.

A experiência embasa todos os pontos anteriores pois permite a reflexão sobre o realizável em contraposição ao irrealizável, evita a repetição de erros básicos, sedimenta as tomadas de decisão, aumenta a “elasticidade” mental na análise de cenários de uma equipe, porque o arcabouço de informação acumulado é maior em relação ao de uma equipe com pouca experiência.

O contraponto deste argumento é se a experiência for estática ou aversa às mudanças. Neste caso ela mais prejudica do que ajuda. Inclusive este balanceamento, entre experiência e resistência às mudanças, é crítico. É aqui que a diferenciação entre o profissional experiente e empreendedor e o de um profissional experiente acomodado podem definir a vantagem competitiva de uma organização.

Portanto, definir a vantagem competitiva de uma empresa, ou de um produto, baseada somente em preço ou tecnologia ou serviço ou valor para o cliente , acredito que é minimizar o potencial da organização, como um todo, e reduzir a análise a um universo cartesiano que não existe.

“Os analfabetos do século XXI não são aqueles que não sabem ler ou escrever, mas aqueles que se recusam a aprender, reaprender e voltar a aprender.”

Alvin Tofler

About these ads

4 Respostas para “Vantagem Competitiva

  1. Bom dia, Mário!

    Estive lendo seu blog pois estou procurando blogs e sites relacionados com empreendedorismo para divulgar o nosso site, Guerra Creativa.

    Guerra Creativa é uma plataforma para webdesigners e empresários que permite solicitar um logo, página web ou outro design gráfico por meio de concursos. Esse processo, é um exemplo de Crowdsourcing (terceirização de serviços) que utilizamos.

    É um processo divertido, que traz resultados muito satisfatórios.

    Deixo aqui o link para que possa acessar nossa página:

    http://pt.guerra-creativa.com/

    Temos também um vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=oydrrLqEuJs

    Aguardo sua visita!

    Agradeço pela atenção e desejo um feliz 2010!

    Luciana Carvajal
    Guerra Creativa Support Team

    • Olá Lucina,

      A vossa iniciativa é muito interessante e é um exemplo muito bom de crowdsourcing, exatamente como você mencionou.
      Fica, então, aqui disponível o vosso link para quem estiver precisando de um logo profissional.

      Obs: crowdsourcing é a utilização da inteligência e do conhecimento coletivo. Em seu conceito mais “simples” seria a “construção de um projeto” ou a resolução de um problema utilizando a inteligência coletiva. O Linux é um exemplo de um resultado obtido pela aplicação do conceito de crowdsourcing. Hoje, no entanto, também, como conceito expandido, é utilizado como referência para a “terceirização em nuvem”, isto é, preciso de algo e tem um lugar na web onde várias pessoas podem atender as minhas necessidades.

      Um abraço,
      Mário Ferreira

  2. Joubert Barbosa

    Fiquei muito feliz em ter lido esse texto. O texto expõe de forma bastante significativa a perspectiva atual da competitividade entre as empresas. Sugere caminhos e até informa quais as consequências da não adequação as novas tendências. Muito obrigado

    • Olá Joubert,

      Eu que agradeço as suas palavras, as quais são um incentivo para que eu continue a expor algumas idéias.

      Não tenho, ultimamente, escrito porque estou na fase final do “famoso” projeto de rede de empreendedores que originou este blog. Este pretende ser um projeto aberto e free que culmine em uma ONG para facilitar e alavancar o empreendedorismo.

      Estou tendo problemas na definição do modelamento matemático da rede.

      Mas reparei, pelas dezenas de artigos e trabalhos acadêmicos que já li, que esta dificuldade não é só minha.

      Até hoje ninguém desenvolveu um modelo que trabalhe (de forma dinâmica) com redes sociais, redes de negócios e clusters. Isto é, que faça a transdisciplinaridade entre os estudos da teoria dos grafos (ou de redes quando de grafos direcionados) mais economia espacial, geografia econômica e estatística (matemática estatística). O que se tem, são estudo de momentos estáticos (fotografias de um instante no tempo). Ninguém ainda compreende ou consegue modelar claramente as implicações das redes sociais nos negócios e definir cenários.

      Mas vou pesquisar mais um pouco…

      Abraço,
      Mário Ferreira

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s